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quarta-feira, 2 de agosto de 2017

RESENHA HQ: Comunhão (2017).

COMUNHÃO (2017)

Roteiro: Felipe Folgosi
Arte: J.B. Bastos
Editora: Instituto dos Quadrinhos
Pág.: 144

Amy é uma aventureira. Determinada e obstinada, ela lidera uma equipe de exploração que se aventura em florestas, quando uma terrível tragédia acontece com ela. Esta tragédia a traumatizou de uma forma que ela desiste das explorações e se torna dedicada à religião. Quando seu irmão, Mark, e outros amigos decidem participar de uma competição de corrida no Brasil, ela vem como apoio e reencontra seu ex-namorado, Daniel. Com isso, ela, Daniel, Mark, e vários outros embarcam em uma aventura cujo um mal se colocará de frente para eles, testando toda sua fé e seu desejo de sobrevivência.
Quando busquei a palavra Comunhão no Dicionário Houaiss, encontrei:
ato ou efeito de comungar. 1 realização de algo em comum. 2 sintonia de sentimentos, de modo de pensar, agir ou sentir, identificação. 3 comparticipação, união, ligação.
Quando você lê esse trabalho de Felipe Folgosi, percebe essa comunhão não é somente parte do título, mas está em todos os aspectos do enredo. O interesse de vários em exploração é um desses aspectos que você vê nessa graphic novel. Não dá para entrar em mais detalhes sem entregar parte da história, que extremamente interessante.
Quanto ao enredo, ele foi um desafio dado a Folgosi. Um amigo dele pediu para ele escrever uma história de terror e ele nos entrega um grande thriller com bastante ação e cenas de tirar o fôlego. Para isso ele uniu seu país, uma paixão e uma devoção, depois juntou tudo a um clima tenso e cheio de surpresas.
Associado a isso, temos o lindo trabalho do artista J.B. Bastos. Como opção – bem diferente de seu primeiro trabalho, Aurora –, Folgosi preferiu um trabalho em preto e branco, deixando tudo nas mãos de Bastos, que demonstrou todo seu talento com tracejados bem detalhados. A opção pelo P&B nos remete para os clássicos trabalhos de terror que fizeram grande sucesso nas décadas de 1960, 1970 e 1980, que vinham totalmente trabalhada pelo artista, sem cores, usando jogos de sombras e arte final do próprio desenhista. Então a opção de Folgosi – mesmo se não for a intenção – criou uma clara homenagem a trabalho de artistas como Rodolfo Zalla, Eugenio Collonese, Gedeone Malagola, e tantos outros.
As cenas desenhadas por Bastos têm uma força e presença sem igual, sendo bem viscerais e tensas. Junta-se a isso a capa desenhada por Will Conrad e Ivan Nunes, que mostra o nível de tensão que acontece em todo o decorrer da história.
Cada momento que você descobre algo, você percebe que é uma ideia bem interessante para esse enredo.
Comunhão é mais um novo trabalho muito bem desenvolvido por nossos artistas brasileiros. A cada material novo que eu vejo e que eu leio da produção independente, que tem o apoio requerido dentro do Catarse, percebo que temos mais artistas capazes do que imaginamos. Pessoas com boas ideias para desenvolver bons trabalhos. Isso mostra que nem sempre precisamos procurar material lá fora para termos bom material aqui e que a indústria de quadrinhos do Brasil merecia mais incentivo do que tem. Graças a Apolo temos empresas como o Instituto dos Quadrinhos que acreditam e incentivam esse tipo de produção dentro de nosso país.

A Felipe Folgosi eu só tenho a agradecer por transformar seus roteiros de filmes em grandes histórias de quadrinhos. Primeiro foi Aurora agora ele nos entrega Comunhão. Uma ficção científica e um thriller de suspense e terror. Vamos ver o que mais esse artista tem para nos reservar, e espero que seja muita coisa boa.

sábado, 29 de julho de 2017

RESENHA HQ: Escolhas (2017)

ESCOLHAS (2017).

Roteiro: Felipe Cagno
Arte: Gustavo Borges
Cores: Cris Peter

“[...] se você desistiu tão facilmente apenas porque uma pessoa, não importa quem fosse, lhe disse que era impossível, você nunca quis ser (...) de verdade”. _Felipe Gagno
João Humberto, quando criança, adorava assistir o desenho animado do personagem Lobo Cinzento. Esse personagem o fez acreditar que era capaz dele, um dia, tornar-se um super-herói.
Ele então dedicou-se de corpo e alma para esse objetivo e, constantemente, teve que lutar pela descrença e pelas tentativas de desmotiva-lo, que vinham, até mesmo, das pessoas que ele mais amava. Mas isso nunca o fez desistir, pois sabia que sua esperança, um dia, seria gratificada.
Felipe Cagno e Gustavo Borges, em 2014, assistiram uma palestra do escritor estadunidense Scott Snyder, onde ele disse que tudo que escrevia colocava algo pessoal e que todos roteiristas deveriam fazer o mesmo. Isso inspirou-os e, então, surgiu Escolhas, o mais recente trabalho de ambos.
 Cagno escreveu a história ao lado de Borges, depois fez o roteiro, enquanto seu parceiro ficou por conta da arte. Com tudo feito eles chamaram Cris Peter que trabalhou as cores de uma forma majestosa. E ficou pronto um dos mais fantásticos trabalhos independentes dos quadrinhos brasileiros.
Escolhas mexe com o brio de todo fã de super-heróis, pois o desejo de ser um personagem que ajuda as pessoas com seus poderes e inspira outras, sempre foi o que motivou um fã, principalmente na sua infância. Levar isso para a vida adulta como um objetivo de vida, torna-se algo motivador. Lógico que não de virar um super-herói, mas de não desistir dos seus sonhos, mesmo que tenham barreiras e obstáculos que tentem impossibilitar suas realizações. Felipe Cagno – acho eu – sempre desejou ser um grande roteirista e, hoje, têm trabalhos fantásticos como Lost Kids, 321 – Fast Comics e Os Poucos & Amaldiçoados (que já está em sua segunda campanha no Catarse). Não tenho certeza – também –, mas Gustavo Borges deve ter sonhado em realizar grandes trabalhos, daí então criou Morte Crens, Edgar e Pétalas, entre outros trabalhos. Cris Peter – vamos lá, novamente – deve ter pensado que seus trabalhos gráficos um dia deixariam sua marca no mundo, hoje ela já tem trabalhos de coloração em editoras estadunidenses do porte de Dark Horse Comics, Marvel Comics, além de realizar vários outros trabalhos junto com artistas brasileiros como Gabriel Bá, Fabio Moon, Gustavo Borges, entre outros. Isso, sem contar que podemos acompanha-la em seu site Cris Peter Digital Colors. Todos os roteiristas e artistas brasileiros vêm buscando isso, realizações com seus trabalhos e vêm desenvolvendo produções independentes, em geral, fantásticas. Eles têm uma forma de fazer isso, já que não contam com grandes indústrias de quadrinhos para lançar seus trabalhos, o site de apoio coletivo Catarse, onde Escolhas teve um apoio de 268%.
É maravilhoso vermos um trabalho tão bem feito, tão motivador sendo realizado, publicado e vendido em livrarias e lojas especializadas, tendo uma editora de livros apoiando, o que se torna um fato muito revelador, já que sempre é bem complicado e alguns artistas, as vezes, precisam criar suas próprias editoras para publicar seus trabalhos.

Escolhas é uma realização fantástica. Vou ser repetitivo, mas ela motiva qualquer um a acreditar em si mesmo e fazer o melhor para nunca desistir, acreditando em si, mesmo que os outros duvidem. 

sábado, 15 de julho de 2017

Cultura do Deslocado: Nerd, ser ou não ser?

Recentemente comecei a ler a obra de Douglas Adams, “O Guia do Mochileiro das Galáxias” e divulguei nas redes sociais. Logo veio o pessoal que há anos leu a obra e se manifestou, dizendo que eu não sou nerd, que finalmente decidi expandir minha cultura nerd para além dos quadrinhos e que ser nerd é um título dados pelos seus iguais.
Bem, eu sempre me senti um deslocado, que, pesquisando, descobri ser alguém fora de seu ambiente habitual, e é assim que eu me sinto, pois gosto de coisas que outros não costumam, principalmente na minha idade. Quadrinhos, seriados, filmes, livros, pôsteres, estatuetas, miniaturas, e por aí vai. Hoje gostar de uma boa parte dessas coisas se tornou pop, o que terminou descaracterizando a palavra deslocado. Com isso, decidi adotar o termo nerd, mas não por me considerar uma pessoa inteligente ou algo assim, mas por as vezes, me sentir excluído de determinados assuntos, pois meus interesses divergiam das outras pessoas.
Nunca gostei de futebol, algo totalmente popular no Brasil e que a maioria dos brasileiros ama acompanhar. Mesmo que torça por um time, nunca fui uma pessoa que conversa ou discute sobre quem está no time ou se ele tem ganhado ou perdido e os motivos dessa derrota. Nunca fui um afoito por esportes, pelo contrário, enquanto os outros jogavam futebol, vôlei, basquete, entendendo as complexas regras dentro desses esportes, eu ficava sentado em um canto, desenhando – ou, pelo menos, tentando – e criando personagens baseados nas histórias em quadrinhos que eu lia.
Nunca fui uma pessoa politizada. Sempre me senti excluído em conversas ou discussões políticas, pois sempre pensei – e ainda penso – que a política é um mal, as vezes necessário, que somente faz você discutir e, às vezes, menosprezar àquele que não tem o mesmo sentimento político que você. Quando estudei História, percebi que meus valores políticos estavam mais relacionados a uma ideia utópica Liberal, que constitui da liberdade sem restrições, em um enxugo do termo. Acredito que todos temos liberdade de nos expressarmos, desenvolver nossas ideias e coloca-las em prática, na medida do possível, pois somos indivíduos pensantes e racionalizamos o que fazemos. Lógico, isso é uma ideia e, como eu disse, utópica.
Nunca me aprofundei em grandes discussões sobre qualquer coisa. Meus poucos amigos sabem que quando tenho algo a expressar, digo a eles e pronto. Tento não ofender ninguém, pois não acredito que as palavras precisam ser ofensivas para fazer com que as pessoas reflitam. Sempre vejo grandes discussões como coisas maçantes e chatas. Cada um tem uma ideia sobre determinada coisa, não adianta tentar convencê-la do contrário.
Esse seria eu, uma pessoa que se expressa pouco, não muito afeiçoado a esportes, apolitizada – já que prefiro uma utopia do que os conceitos políticos da atualidade –, um deslocado social, mas aparentemente não um nerd.
Quando ocorreu, recentemente, o Dia do Orgulho Nerd, surgiu várias postagens nas redes sociais sobre isso e pessoas diziam que “você não pode se considerar um nerd se não leu ‘O Guia do Mochileiro das Galáxias’” (Sim, isso novamente). Quando achei estranho pessoas que colocavam aros/armações de óculos, sem lente, para fazer parte da tribo, usavam camisetas com estampas de super-heróis ou videogames ou seriados, para se sentirem identificados, mesmo que não tivessem ideia do que estavam usando, só queriam se sentir incluídos... INCLUIDOS!!! Mas o problema é que não desejam adquirir mais conhecimento, somente serem aceitos em um “universo” de deslocados. Isso me aborrece um pouco e, talvez, seja nesse ponto que os... nerds se sintam comigo por não ter lido ainda a obra de Douglas Adams.
O que acho mais interessante nisso é que se você for um trekker, fã de Star Wars, fã de séries de ficção científica, fã de Doctor Who, fã de seriados, DCnauta, Marvete, fã de quadrinhos, fã d’As Crônicas de Gelo e Fogo, fã d’O Senhor dos Anéis, fã de Harry Potter, fã de series de livros, jogam Mario Bros., Grand Theft Auto V, Plants vs. Zombies, fãs de games, que participam de Vampiro: A Máscara, Dugeons & Dragons,  e nunca terem lido a série de Adams, não são nerds. Recentemente, conversando com um amigo que otakus eram um novo tipo de nerd, ele surtou e disse que deixaria de ler mangás, pois não aceitava isso (foi mais ou menos isso).
Quando eu falo de nerds, eu tenho uma visão de um estilo de vida. Mas esse estilo de vida se divide em vários subestilos. Temos os fanboys, fandoms, Trekkers, gamers, otakus – sim, eles são um subestilo dos nerds –, geeks (em algumas culturas, é assim que se define o estilo de vida do deslocado), cinemaníacos, entre outros que eu não sei nomear. Só que a origem da palavra – como já havia mencionado mais acima – foi uma forma de definir pessoas que se diferenciavam por serem deslocadas, fora da realidade comum, mais inteligentes, mais dedicados aos estudos. E, ser qualquer dos subestilos acima, não os tornam necessariamente um nerd (ou geek, dependendo da sua realidade).
Tá, o dia 25 de maio, graças ao fãs de “O Guia do Mochileiro das Galáxias”, é considerado, oficialmente, como o “Dia da Toalha”, tornando-o como um dia onde vários fãs da obra de Douglas Adams podem celebrar. Essa data foi definida em 2001. O interessante é que, entre 1998 e 2000, o nova-iorquino Tim McEachern decidiu realizar comemorações em um bar de Albany, celebrando a data de estreia de “Star Wars: Episódio IV – Uma Nova Esperança”, primeiro filme da saga dos Skywalker. O filme estreou em 25 de maio de 1977. Somente, oito anos depois, o espanhol Germán Martínez realizou a primeira celebração no mesmo dia e chamou a atenção de todos, principalmente a mídia, para o Dia do Orgulho Nerd (ou Dia do Orgulho Geek). Coincidentemente, ambos os dias são correlacionados. Mas, pensando em um dia de comemoração para o “Dia da Toalha”, por que não escolherem o dia 05 de janeiro, quando estreou o primeiro episódio da série de TV “O Guia do Mochileiro das Galáxias” na BBC Two? Ou o dia 08 de março, dia da primeira transmissão do trabalho de Douglas Adams na BBC Radio 4? Ou o dia 11 de março, dia do nascimento de Douglas Adams? Ou o dia 12 de outubro, quando Pan Books lançou a primeira edição de “O Guia do Mochileiro das Galáxias” em Londres?
Lógico, quem sou eu para definir alguma coisa ou a realização de uma comemoração. Por exemplo, além de comemorarmos o lançamento da saga dos Skywalker em 25 de maio, também existe o “Star Wars Day”, comemorado em 04 de maio, pois faz um trocadilho com a frase em inglês “Que a Força Esteja Com Você” (May the Force Be With You), ficando “Que o 4 de Maio Esteja com Você” (May the 4th Be With You).
Outro caso é o Dia do Batman, comemorado no dia 17 de setembro. Essa data foi iniciada durante as comemorações de 75 anos do Batman, na ideia de celebrar sua primeira aparição na história “O Caso da Sociedade Química” (The Case of the Chemical Syndicate), publicada na Detective Comics #27. Eu me considero um batmaníaco e DCnauta (algo dentro dos subestilos fanboy e/ou fandom) e sei que a primeira aparição do Batman aconteceu em maio de 1939 (de acordo com pesquisas feitas, a revista Detective Comics #27 chegou às lojas em 18 de abril de 1939[1]), então por que a comemoração do Dia do Batman em setembro? Bem, nem a empresa DC Comics e ninguém mais sabe dizer o motivo, já que o primeiro episódio da série de TV estrelada por Adam West e Burt Ward estreou em 12 de janeiro de 1966[2], o filme “Batman”, estrelado por Michael Keaton e Jack Nicholson estreou nos cinemas estadunidenses em 23 de junho de 1989 (a première ocorreu em 19 de junho de 1989), a primeira cine série, estrelada por Lewis Wilson e Douglas Croft surgiu em 16 de julho de 1943, Bob Kane, o co-criador do Batman, nasceu em 24 de outubro de 1915 – o outro criador, Bill Finger, nasceu em 08 de fevereiro de 1914, dessa forma, por que, cargas d’água, comemorar em 17 de setembro de 2014 os 75 anos do Batman? Nem o aniversário do Bruce Wayne é em setembro, sendo considerado por alguns em 19 de fevereiro[3].
Não estou dizendo que o caso da comemoração do Dia da Toalha coincidir com o Dia do Orgulho Nerd seja o motivo de considerar somente nerds as pessoas que leram a obra completa, mas definir uma pessoa como nerd somente se ela tivesse lido o trabalho de Douglas Adams, que é uma adaptação dele próprio de um programa de rádio que ele criou, mas é o que parece.
Ok, eu não vou me considerar e nem referir a eu mesmo como nerd. Apesar de meu blog tem em seu título a palavra Nerd – isso eu não vou mudar, me desculpem – eu vou referir a mim mesmo como um fandom – talvez! – ou um fanboy – quem sabe! (por mais que eu odeie). Dessa forma, deixo aos verdadeiros nerds, que leram o trabalho de Douglas Adams, seu devido título... ah, e mesmo terminando de ler “O Guia do Mochileiro das Galáxias”, não vou me considerar um nerd, pois prefiro ser um DCnauta/Batmaníaco. Um abraço desse – constantemente – deslocado.

sábado, 8 de julho de 2017

RESENHA CINEMA: Homem-Aranha: De Volta ao Lar (Spider-Man: Homecoming, 2017).

HOMEM-ARANHA: DE VOLTA AO LAR (Spider-Man: Homecoming, 2017).

Direção: Jon Watts
Roteiro: Jon Watts, Jonathan Goldstein, John Francis Daley, Christopher Ford, Chris McKenna, Erik Sommers
Elenco: Tom Holland, Michael Keaton, Marisa Tomei, Jacob Batalon, Laura Harrier, Zendaya, Tony Revolori, Bokeem Woodbine, Michael Chernus, Robert Downey Jr., Jon Favreau,

A empresa de Adrian Toomes (Michael Keaton) havia sido contratada pela Prefeitura de Nova Iorque para assumir os danos causados pelas batalhas travadas entre os Vingadores e seus inimigos, mas a Agência de Controle de Danos, financiada pelas Indústrias Stark, assume o lugar deles, deixando-os sem serviços e fazendo-os investir em outro mercado, que se demonstrou mais lucrativo.
Enquanto isso, no subúrbio da Grande Maçã, o jovem Peter Parker (Tom Holland), descobre-se sendo convocado por Tony Stark (Robert Downey Jr.), o Homem-de-Ferro, e é levado para Berlim por Happy Hogan (Jon Favreau), onde ganha um novo traje e torna-se um novo aliado ao enfrentar o Capitão América. Quando retorna, Stark lhe deixa ficar com o traje e, com isso, o Homem-Aranha ganha um visual bem mais hi-tech. Só que os problemas mal começam e ele já tem de enfrentar novos inimigos e problemas que a cada momento demonstram o quanto grandes poderes trazem grandes responsabilidades.
O final desse resumo descreve o quão fiel os roteiristas e o diretor procuraram ser com a mitologia do Homem-Aranha. “Homem-Aranha: De Volta ao Lar” hoje, para mim, tornou-se o melhor filme baseado no Amigo da Vizinhança. Tem a ação certa, os momentos de humor são bem feitos, sem parecerem coisas empurradas para você engolir e dar aquela risadinha amarela.
Tom Holland demonstrou, mais uma vez, seu talento como ator. Ele está dinâmico e não exagera e não força uma timidez ou mesmo sua espontaneidade. Seu melhor amigo nesse filme, Ned Leeds – nos quadrinhos, Leeds é o Duende Macabro, um dos piores inimigos do Cabeça-de-Teia –, interpretado pelo ator Jacob Batalon dá a dosagem certa de amigo/parceiro/assistente. E não pensem que ele é a solução de todas as habilidades de Peter no filme, pelo contrário, a cada momento aparece a inteligência natural de Parker, seja dentro ou fora da sala-de-aula. E a participação de Tony Stark/Homem-de-Ferro? Ele somente aparece quando necessário. O personagem interpretado por Robert Downey Jr. serve como o “Grilo Falante” irônico. Ele está ali para mostrar ao Peter que ele não precisa se assemelhar a nenhum outro super-herói, mas ser ele mesmo. Que ele e mais capaz do que imagina.
Do lado do antagonista temos Adrian Toomes, o Abutre, interpretado pelo ator Michael Keaton, que já é bem conhecido do universo de super-heróis no cinema, graças a sua interpretação de Batman/Bruce Wayne nos filmes de Tim Burton. Keaton dá o tom de um vilão determinado, cujo o objetivo não é a destruição de ninguém, mas ganhar dinheiro. Ele é um ladrão, mas um ladrão avançado, que faz uso das mais altas tecnologias para conseguir o que deseja. Seus aliados, principalmente o Consertador e Shocker, interpretados por Michael Chernus e Bokeem Woodbine, respectivamente, têm os mesmos objetivos e aceitam seguir sobre sua liderança, sem questionar suas formas de condutas para conseguir o que deseja, as vezes fazendo-o se tornar ainda pior.
Já as participações de outros personagens se tornam bem coadjuvantes, como a Tia May Parker, interpretada pela belíssima e talentosa Marisa Tomei. Ela serve mais como uma ligação familiar de Peter, as vezes pronta para aconselhar o sobrinho quando ele precisa. As aparições de tia May são bem determinantes e pequenas. Já personagens como Flash Thompson, interpretado pelo ator Tony Revolori, que é um diferente bully nesse filme, Liz, interpretada pela atriz Laura Harrier, interesse romântico de Peter, e Michelle, interpretada pela atriz/cantora Zendaya, que é faz a colega mala de Peter, aparecem para compor o elenco e mostrar o quanto esse novo universo do Homem-Aranha poderá ser expansivo e diferenciado dos outros.

Não vou entrar em comparações desse filme com seu antecessores, pois cada ator deu sua visão do Homem-Aranha, bem como cada diretor e roteirista, também, mas com certeza “Homem-Aranha: De Volta ao Lar” é um excelente surpresa e supera todas as expectativas, trazendo-nos um Homem-Aranha que comporá o Universo Cinemático Marvel da forma como o personagem merece.

sábado, 3 de junho de 2017

RESENHA CINEMA: Mulher-Maravilha (Wonder Woman, 2017)

MULHER-MARAVILHA (Wonder Woman, 2017).

Direção: Patty Jenkins
Roteiro: Allan Heinberg
Elenco: Gal Gadot, Chris Pine, Connie Nielsen, Robin Wright, Danny Huston, David Thewlis, Said Taghmaoui, Lucy Davis, Elena Anaya, Ewen Bremner, Eugene Brave Rock, Lisa Loven Kongsli, Ann Wolfe, Ann Ogbomo, Florence Kasumba, Eleanor Marsuura, Josette Simon, Doutzen Kroes, Hayley Warnes, Samantha Jo, Brooke Ence, Madeleine Vall, Hari James, Jacqui-Lee Pryce, Lilly Aspell, Emily Carey.

Themyscira é uma ilha idílica que ainda vive com ideias e conceitos das sociedades gregas da antiguidade. Habitada pelas amazonas, guerreiras criadas pelos deuses, a ilha paradisíaca permanece escondida do resto da humanidade. A sua rainha, Hipólita (Connie Nielsen), governa suas “irmãs” da forma mais democrática possível, dando-lhes liberdade para fazerem o que desejarem. Sua filha, Diana (Lilly Aspell), a única criança entre as amazonas, deseja se tornar uma guerreira também e, escondida, treina com sua tia Antíope (Robin Wright). Quando atinge a idade adulta, Diana (Gal Gadot) resgata o piloto Steve Trevor (Chris Pine) de um acidente de avião e isso torna-se uma bola de neve, pois a ilha vê-se invadida por tropas germânicas e austro-hungaras. Dessa forma, as amazonas veem-se em uma batalha injusta, pois enquanto usam espadas, flechas e lanças, as tropas usam fuzis. Mas, mesmo com baixas, as amazonas saem vitoriosas. Trevor é submetido a uma corte e, após perceber o que ocorre com o mundo, Diana decide acompanha-la ao mundo do patriarcado, onde terá de enfrentar uma guerra sem proporções, mostrando que uma mulher pode fazer a diferença em um mundo tomado por homens.
Mulher-Maravilha é mais um passo no Universo Expandido DC nos cinemas. Depois de “O Homem de Aço” e “Batman vs. Superman: A Origem da Justiça”, nada melhor do que vermos a primeira grande guerreira da DC Comics, fechando a Trindade DC com excelência.
Diana já havia aparecido em “Batman vs. Superman: A Origem da Justiça”, mas poucos conhecem sua origem. Criada em 1941 pelo psicólogo William Moulton Marston (1893-1947) e o desenhista Harry George Peter (1880-1958) para a All Star Comics #8, ela foi concebida do barro e ganhou dons dos deuses olímpicos. Após salvar por Steve Trevor e apaixonar-se por ele, Diana deixa a Ilha Paraíso e vai ao mundo do patriarcado, aonde combate os nazistas, japoneses e italianos durante a Segunda Guerra Mundial.
Com o passar dos anos, a história da origem de Diana mudou um pouco. Na Era de Prata e Bronze, ela teve duas origens distintas e, após Crise nas Infinitas Terras, o escritor e desenhista George Pérez redefiniu a origem da Mulher-Maravilha seguindo mitos gregos. Manteve as ideias iniciais de Marston, introduzindo os conceitos de que as amazonas tinham uma maior ligação com as deusas gregas e pouca ligação com os deuses, com exceção de Hermes, que lhe concedeu o dom do voo. Em 2011, o escritor Brian Azzarello, também, deu sua ideia da origem da Mulher-Maravilha, usando a ideia de ela ter sido concebida pelo barro como uma farsa, pois ela era, na verdade, filha de Zeus e Hipólita.
Em 1975, o canal de TV ABC lançou a primeira série da personagem, estrelada pela ex-miss América Lynda Carter. Na primeira série, a Mulher-Maravilha encarava nazistas durante a Segunda Guerra Mundial. Na segunda temporada, a série migrou para o canal CBS, onde ela foi trazida para transportada para a década de 1970, enfrentando espiões e inimigos mais atualizados. A série explorou bem o universo da personagem, pois nela conhecemos a Ilha Paraíso, o – famoso – jato invisível, o affair entre Diana e Steve Trevor, interpretado pelo ator Lyle Waggoner, e uma versão da Moça-Maravilha, interpretada pela atriz Debra Winger. Foram somente três temporadas, mas Lynda Carter continuou associada à personagem até a atualidade, tanto que, em constantes eventos ligados a Mulher-Maravilha, Carter é sempre convidada.
Um dos fatos mais interessantes da Mulher-Maravilha é sua longevidade nos quadrinhos.
Mesmo não sendo a personagem feminina mais antiga dos quadrinhos, Diana foi a que permaneceu mais tempo sendo publicada. Parte disso deve-se a sua popularidade, pois era uma das poucas personagens que conseguia se manter, mostrando as meninas que elas eram fortes e independentes. Mas outra parte vem de um acordo firmado entre Marston e a All-American Publications (hoje DC Comics). No acordo, a empresa nunca deixaria de ter uma publicação da personagem, não importando o que ocorresse. Dessa forma, a continuidade da Mulher-Maravilha é – quase – inédita, pois são mais de 75 anos de publicações.
O atual filme da personagem, dirigido por Patty Jenkins – mais conhecida por ter  dirigido e escrito o filme “Monster: Desejo Assassino”, com Charlize Theron (ganhadora do Oscar de Melhor Atriz nesse filme) e Christina Ricci – pega nuances desses mais de 75 anos de história da personagem. A história – escrita por Allan Heinberg, Zack Snyder e Jason Fuchs – dá uma pegada das origens da personagem nas mãos de Marston, mas também faz uso de elementos usados por George Pérez em 1985 e por Brian Azzarello em 2011. Alguns desses aspectos vêm de sua origem e seu inimigo principal, Ares, o deus da guerra.
Na mitologia grega, Ares foi o responsável pela criação original das amazonas. Ele que lhes deu o dom para guerrear e serem as melhores no que fazem e, por isso, eram constantemente desafiadas por outros guerreiros míticos como Héracles (ou Hércules) e Teseu. Na história do filme, temos uma concepção pessoal dos escritores da Batalha do Céu, tendo uma retratação de Ares como o demônio e as amazonas (anjos) foram criadas pelos Zeus (Deus) para combate-lo.
Dessa vez elas não foram exiladas em Themyscira por não terem mantido a paz, mas permaneceram existentes para que, caso Ares voltasse, elas pudessem combate-lo.
Detalhes sobre como Diana surgiu ficaram com explicações mínimas, mas parte do mito dela surgir do barro foi mantido – mesmo que não seja mostrado – foram mantidas, só que outros detalhes foram introduzidos.

Mulher-Maravilha é o quarto filme da DC Films e do Universo Expandido DC, que em novembro crescerá ainda mais com “Liga da Justiça”, mas isso é uma outra história.

domingo, 21 de maio de 2017

RESENHA CINEMA: Rei Arthur: A Lenda da Espada (King Arthur: Legend of the Sword, 2017)

REI ARTHUR: A LENDA DA ESPADA (King Arthur: Legend of the Sword, 2017).

Direção: Guy Ritchie
Roteiro: Joby Harold, Guy Ritchie, Lionel Wigram, David Dobkin
Elenco: Charlie Hunnam, Jude Law, Astrid Bergés-Frisbey, Djimon Hounsou, Aidan Gillen, Kingsley Ben-Adir, Tom Wu, Neil Maskell, Craig McGinlay, Freddie Cox, Bleu Landau, Eric Bana, Annabelle Wallis, Poppy Delevingne

As lendas arturianas datam de séculos atrás. Algumas fontes citam histórias do século VI, outras do século X, que são chamados de Tradições pré-galfrínicas.
Em 1138, o clérigo britânico Geoffrey de Monmouth finaliza sua obra latina Historia Regum Britanniae e nela introduz a lenda de Arthur. Nela ele conta como seu pai, Uther Pendragon, com auxílio do bruxo Merlin, disfarça-se de seu inimigo e tem relações sexuais com Igraine, mãe de Arthur. Após a morte de Uther, Arthur, aos quinze anos, assume o trono do pai e, ao lado dos aliados, combatem todos aqueles que desejam tomar a Grã-Bretanha.  Quando Arthur e seu companheiro derrotam o imperador Tiberius na Gália e partem para tomar Roma, o sobrinho dele, Mordred, toma seu trono e casa-se com sua esposa, Guinevere, fazendo Arthur voltar à Grã-Bretanha e combate-lo. Durante a batalha, Arthur é mortalmente ferido e passa seu trono para Constantino e é levado para Avalon, onde seria cuidado de suas feridas e nunca mais seria visto.
Vários romancistas fizeram uso das lendas arturianas para escreverem suas próprias histórias. Algumas vezes, Arthur era visto somente como um personagem de fundo, marginalizado na maioria das vezes, idealizador, sonhador de uma sociedade impossível. Alguns o viam como um rei destituído de emoção ou mesmo um rei bufão, incapaz de decidir ou discernir por si próprio, bem diferente das suas retratações das tradições pré-galfrínicas e da obra de Monmouth, que o tratavam como um guerreiro capaz de qualquer ato para conseguir o que desejava e ria diante dos inimigos. Esses “novos romances” somente faziam uso do fim de Arthur contra Mordred.
Em 1485, Sir Thomas Malory viria a escrever a obra Le Morte D’Arthur, juntando o trabalho de Monmouth e vários outros relatos e romances franceses e ingleses para narrar o nascimento de Arthur, sua ascensão ao trono, seu reinado, a perda de sua esposa, Guinevere, para seu melhor cavaleiro, Lancelot, sua derrota para Mordred, a busca pelo Graal, sua última batalha e a morte. Na obra de Malory temos, além dos já citados, Merlin, Kay, Bedivere, Percival, Gawain, Garreth, Tristão, Morgana, e todos os membros da Távola Redonda. Foram, no total, 21 livros para contar toda a lenda de Arthur.
A obra de Malory serviu como fonte de várias outras obras literárias, como a obra de T.H. White, “O Único e Eterno Rei” e “Idílios do Rei” de Alfred Tennyson. Da obra de White surgiu o musical “Camelot” do compositor Alan Jay Lerner.
Cada um desses trabalhos viriam a inspirar outras formas midiáticas como o cinema, de onde saíram trabalhos como a animação da Disney, “A Espada Era a Lei” (1963), “Camelot” (1967), “Excalibur” (1981), Morte d’Arthur (1984) e a série de TV “Camelot” (2011). Além do cinema, a lenda de Arthur também inspirou animês como Rei Arthur (Entaku no kishi monogatari: Moero Arthur), criado por Kensyo Nakano, Mitsuru Majima, Sukehiro Tomita e Tsunehisa Ito para a Toei Animation em 1979. As tiras de quadrinhos de “O Príncipe Valente”, criado por Hal Foster em 1937. A obra de fantasia “As Brumas de Avalon”, escrita por Marion Zimmer Bradley em 1983. A série de quadrinhos da DC Comics, Camelot 3000, escrita por Mike W. Barr e desenhada por Brian Bolland, entre 1982 e 1985. Além de várias pesquisas sobre a origem de um verdadeiro Arthur. Esses estudos levaram ao filme “Rei Arthur” (2004), escrito por David Franzoni e dirigido por Antoine Fuqua.
Para muitos, a obra de Monmouth pareceu esquecida graças aos outros trabalhos desenvolvidos com Arthur Pendragon, mas “Rei Arhur: A Lenda da Espada” parece trazer de volta alguns fatores dessa obra secular.
No novo filme vemos um personagem da obra de Monmouth, Vortigern (Jude Law), há muito esquecido, como substituto de Uther (Eric Bana) no trono. Percebe-se que ele tomou o trono e não pretende entrega-lo ao herdeiro legítimo, Arthur (Charlie Hunnam), que, em seus anos de clandestinidade aprendeu a lutar sozinho da melhor forma que poderia. Quando Excalibur surge, Arthur é caçado, então ele juntasse a resistência, liderada por Sir Bedivere (Djimon Hounsou), para conquistar seu objetivo.
 A ação do filme é muito imediata e qualquer coisa que venha a revelar fora desse enredo, poderia dar spoilers. Mas muito do filme fica em torno de Arthur e Excalibur, dando um bom motivo para o título do filme.
A aparência do filme é que muito do trabalho nele vem de uma influência dos atuais filmes de super-heróis. Mas também se percebe um constante uso de vários aspectos que Guy Ritchie usara, anteriormente, em seus filmes, como as sequências de time bullett e a câmera como aspecto da cena, usados em “Sherlock Holmes” (2009) e “Sherlock Holmes: O Jogo de Sombras” (2011).
Falar de “Rei Arthur: A Lenda da Espada” precisava dessa introdução sobre as lendas de Arthur Pendragon, pois somente assim para compreender o filme que entrou em cartaz no Brasil em 18 de maio, já que foge bastante de qualquer outra influência anterior.

“Rei Arthur: A Lenda da Espada” se torna um filme único dentro de todos os filmes baseados nas lendas arturianas, pois pega base aspectos anteriores aos romances escritos a partir do século XV, colocando Arthur guerreiro determinado e com uma vontade pouco vista em outras obras cinematográficas. Arthur toma a frente, como visto poucas vezes.

sábado, 20 de maio de 2017

RESENHA CINEMA: Alien: Covenant (2017)

ALIEN: COVENANT (2017).

Direção: Ridley Scott
Roteiro: John Logan, Dante Harper, Jack Paglen, Michael Green
Elenco: Michael Fassbender, Katherine Waterston, Billy Crudup, Danny McBride, Demián Bichir, Jussie Smollett, Callie Hernandez, Carmen Ejogo, Amy Seimetz, Guy Pearce, Noomi Rapace, Nathaniel Dean, Alexander England, Benjamin Rigby, Uli Latukefu, Tess Haubrich, Lorelei King, James Franco.

No início do século XXII, a nave de exploração Covenant partiu com uma tripulação e vários colonos em uma viagem para terraformar um planeta distante, mas graças a um acidente inesperado, decidiram ir a um planeta que parece um verdadeiro paraíso, pois poderia ser habitado por eles, mas se torna um verdadeiro inferno.
Ridley Scott, responsável pela direção de Alien, o Oitavo Passageiro (1977) e Prometheus (2012), retorna mais uma vez a franquia Alien com esse novo trabalho. Nesse novo filme, ele vai um pouco mais além do surgimento dos xenomorfos que nos acostumamos a ver na franquia.
A ação do filme inicia-se bem antes do filme ser lançado nos cinemas, com os curtas “Última Ceia” e “O Cruzamento”, No primeiro vemos a tripulação da Covenant fazendo o último brinde antes de entrarem no criossono. Nesse vídeo  conhecemos o mais novo androide, Walter, interpretado – novamente – por Michael Fassbender. Além de conhecer alguns membros importantes da tripulação, como a terraformadora Daniels (Katherine Waterston) e seu marido, o líder da tripulação, Branson (James Franco). Também conhecemos o segundo no comando, Oram (Billy Crudup) e sua esposa Karine (Carmen Ejogo). O militar Lope (Damián Bichir) e seu parceiro Hallett (Nathaniel Dean). O piloto Tennessee (Danny McBride) e sua esposa, a mecânica Faris (Amy Seimetz). O casal Upworth (Callie Hernandez) e Ricks (Jussie Smollett), além de Ankor (Alexander England), Ledward (Benjamin Rigby), Cole (Uli Latukefu) e Rosenthal (Tess Haubrich).
Já em “O Cruzamento”, testemunhamos o que aconteceu com a Dra. Elizabeth Shaw (Noomi Rapace) e o androide David (Michael Fassbender), após o desastre com a nave Prometheus. Eles partem em busca dos Engenheiros, os criadores da vida terrestre, e terminam chegando ao seu destino.
Uma das coisas interessantes no filme é que conhecemos a construção de David nos primeiros minutos do filme e sua convivência com seu criador, Peter Weyland (Guy Pearce).
O filme segue uma linha que se assemelha aos seus antecessores. Uma equipe de exploração com um objetivo termina esbarrando em um problema que foge ao seu controle. A grande diferença entre todos são suas motivações. Seguindo cronologicamente, Prometheus tem uma equipe que busca os criadores da humanidade, os Engenheiros, e quando encontram vestígios deles, terminam encontrando um patógeno capaz de destruir tudo que eles criaram. Esse patógeno, quando em contato com o corpo humano, toma forma de xenomorfos que destroem a carne humana, devorando os corpos de dentro para fora.
Em Covenant já temos um grupo de exploração que esbarra com um planeta capaz de sustentar vida humana, mas que possui novas formas do patógeno, gerando neomorfos que fazem o mesmo que os encontrados anteriormente. Já em O Oitavo Passageiro, a nave comercial Nostromo responde a um sinal de chamado e sua tripulação termina encontrando-se com o bom e velho xenomorfo, que mata toda ela, com exceção da subtenente Ellen Ripley (Sigourney Weaver).
As ligações são feitas pela formação do xenomorfo, que se desenvolve no passar dos filmes, ampliando ainda mais as conjecturas de sua criação, que se torna melhor explicada a partir de Covenant, pois temos como ele se desenvolveu durante tantas mutações. E cria um questionamento – já respondido em outros filmes posteriores, quadrinhos e jogos de games –, o que acontece quando o xenomorfo ocupa outras formas de vida?
Alien: Covenant é um filme que se encaixa perfeitamente na antologia da série cinematográfica, trazendo novos aspectos que se tornam importantes para o desenvolvimento dos parasitas e xenomorfos. Vamos ver o que vem pela frente.o que vem pela frente.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

RESENHA FILMES: Sete Homens e um Destino (The Magnificent Seven, 2016)

SETE HOMENS E UM DESTINO (The Magnificent Seven, 2016).

Direção: Antoine Fuqua
Roteiro: Richard Wenk, Nic Pizzolatto
Elenco: Denzel Washington, Chris Pratt, Ethan Hawke, Vincent D’Onofrio, Byung Hun-Lee, Manuel Garcia-Rulfo, Martin Sensmeier, Haley Bennett, Peter Sasgaard, Luke Grimes, Matt Bomer, Jonathan Joss, Cam Gigandet, Mark Ashworth, Billy Slaughter, Emil Beheshti

A pequena cidade Rose Creek, localizada próxima a uma mina de ouro, vem sendo assombrada pelo inescrupuloso Bartolomew Bogue (Peter Sasgaard), que vem desejando comprar toda a cidade por um valor absurdamente baixo e, caso eles não deem a cidade para ele, tomará providencias menos civilizadas.
Na intenção de salvar sua cidade, a jovem viúva Emma Cullen (Haley Bennett), acompanhada do seu ajudante Teddy Q (Luke Grimes), vai em busca de pistoleiros para proteger sua cidade, buscar justiça e se possível, vingança. Ela termina cruzando o caminho do subtenente Sam Chisholm (Denzel Washington), convencendo-o a ajudá-la.
Chisholm então inicia a seleção de outros iguais a ele, ao chamar o jogador de cartas Josh Faraday (Chris Pratt). Ele pede para Faraday e Teddy irem em busca do cajun Goodnight Robicheaux (Ethan Hawke), enquanto ele e Emma vão em busca do mexicano procurado Vasquez (Manuel Garcia-Rulfo).
Ao encontrar Goodnight, Faraday e Teddy conheceu Billy Rocks (Byung Hun-Lee), um exímio atirador de facas e parceiro de Goodnight. Após reunirem-se novamente, os seis vão à procura do rastreador e caçador lendário Jack Horne (Vincent D’Onofrio), que inicialmente decide não embarcar no grupo, mas muda de ideia quando descobre que eles vão cruzar o caminho do comanche desgarrado Red Harvest (Martin Sensmeier), que se une ao grupo.
Reunidos, os sete seguem juntos de Emma e Teddy para Rose Creek, que está tomada por homens de Bogue e pretendem não somente deter Bogue, mas levar justiça e vingança aos mortos.
Em 1954, Akira Kurosawa, Shinobu Hashimoto e Hideo Oguni escreveram a história de sete samurais errantes que se unem para defender um vilarejo contra bandidos que vêm roubando e assombrando o povoado.
Dessa obra prima do cinema japonês, em 1960, o roteirista William Roberts e o diretor John Sturges lançaram o faroeste “Sete Homens e Um Destino”, onde sete pistoleiros partem para ajudar uma pequena villa no Novo México que vem sendo assolada por bandidos mexicanos que roubam e destroem o vilarejo. Eles salvam a cidade, são traídos e depois partem para a vendeta, vencendo os bandidos e salvando a cidade. Seis anos depois, os sobreviventes retornam em uma missão semelhante, mas com menos empolgação.
Sessenta e dois anos depois da obra original – cinquenta e seis anos depois do filme estadunidense –, surge uma nova adaptação nas mãos do diretor Antoine Fuqua (O Protetor) e dos roteiristas Richard Wenk (O Protetor) e Nic Pizzolatto (True Detective). A história do filme – como lida acima – é uma adaptação bem pessoal de Wenk e Pizzolatto, bem diferente da obra original e da primeira adaptação. Os roteiristas preferiram seguir por um outro caminho ao colocar os pistoleiros serem convocados para salvar a cidade de um inescrupuloso empresário que, no passado, causou várias atrocidades ao aliar-se aos confederados durante a Guerra Civil dos EUA.
Para trabalhar nesse filme, o diretor Antoine Fuqua, convocou alguns atores que ele teve o grande prazer de trabalhar como Denzel Washington. Com Washington, Fuqua já trabalhou em “Dia de Treinamento” e “O Protetor”. Outro ator conhecido de Fuqua é Ethan Hawke. O ator também esteve em “Dia de Treinamento”. Além deles, os atores Chris Pratt e Vincent D’Onofrio cruzaram caminho em “Jurassic World”. Falando de D’Onofrio, como sempre ele surpreende na construção de seu personagem, dando voz e características distintas, que diferenciam de qualquer outro que ele já tenha feito anteriormente.
Uma das coisas mais interessantes do filme que o tom de comédia fica bem leve e em momentos bem específicos. Acredito que isso vem muito do tipo de direção de Fuqua, dando bastante atenção à história e à ação do filme. As brincadeiras e os momentos de distração, terminam parecendo parte natural do filme.
Essa nova adaptação de “Os Sete Samurais” de Kurosawa, tem um toque especial do diretor e dos roteiristas, mas não deixa de ser uma história de pessoas que se unem por um bem maior, mesmo que tenham interesses distintos.
“Sete Homens e Um Destino” é um ótimo faroeste, com um toque especial típico do seu diretor. Ação muito boa, história bem trabalhada, vale a pena assistir, principalmente para ouvir, novamente, o clássico tema “The Magnificent Seven” de Elmer Bernstein.